
A pergunta parece absurda, mas precisa ser feita depois do Encontro Estadual da Jovem Advocacia realizado pela OAB-PB, nos dias 25 e 26 de setembro, em Campina Grande.
A divulgação oficial prometia integração, oportunidades, capacitação e networking. A OAB-PB chegou a afirmar que levar o encontro para Campina Grande significaria ampliar o acesso e aproximar jovens profissionais de diferentes regiões do Estado.
Bonito no discurso.
Mas será que essa integração está chegando à jovem advocacia que vive a realidade do início da profissão?
O questionamento que fica é justamente sobre a capacidade desses eventos de alcançar quem está fora dos círculos que tradicionalmente acompanham as programações institucionais.
Porque a realidade do jovem advogado paraibano não é feita apenas de congressos, fotografias e networking.
É feita de anuidade, aluguel, gasolina, alimentação, estrutura de escritório, poucos clientes e muito esforço para conseguir se estabelecer profissionalmente.
Viajar custa.
Participar de congresso custa.
Frequentar almoços e confraternizações em locais caros custa.
E não adianta criar uma agenda recheada de eventos e depois perguntar por que parte da jovem advocacia não aparece.
Talvez seja hora de perguntar o contrário:
o que a OAB-PB está fazendo para conseguir chegar até esses jovens?
Onde estão políticas permanentes de integração? Onde estão oportunidades concretas de inserção profissional? Onde estão eventos realmente acessíveis, descentralizados e pensados para quem ainda está construindo sua carreira?
A própria gestão afirma que pretende proporcionar “conhecimento, oportunidades” e integração. (OAB-PB)
Então a cobrança é simples: quantos jovens que não fazem parte das estruturas, comissões e círculos habituais da Ordem estão efetivamente sendo alcançados?
Porque não basta reunir as mesmas pessoas e chamar isso de integração.
Não basta colocar “Jovem Advocacia” no nome do evento.
E muito menos falar em protagonismo enquanto uma parcela dos jovens profissionais continua olhando de longe para uma OAB que deveria estar ao lado deles.
A jovem advocacia não precisa apenas de palco.
Precisa de oportunidade.
Não precisa apenas ser lembrada no discurso.
Precisa conseguir participar.
E talvez a pergunta mais incômoda para a atual gestão seja justamente esta:
A OAB-PB está realmente aproximando a jovem advocacia, ou apenas promovendo eventos em nome dela?
Porque, quando sempre aparecem os mesmos rostos, talvez o problema não esteja em quem não foi.
Talvez esteja em quem ainda não conseguiu fazer a OAB chegar até eles.
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