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A Nova Casa da Advocacia Paraibana: Patrimônio coletivo ou apenas uma suntuosa vitrine institucional?

Entre promessas de “novo tempo” e corte de áreas de lazer por picuinha política e digitalização da classe, a inauguração da nova sede da OAB-PB levanta questionamentos sobre a verdadeira utilidade de obra milionária.

10/06/2026 às 16h57
Por: Redação Fonte: Advocacia
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A Nova Casa da Advocacia Paraibana: Patrimônio coletivo ou apenas uma suntuosa vitrine institucional?

A Ordem dos Advogados do Brasil — Seccional Paraíba (OAB-PB) anunciou com pompa e circunstância a inauguração de sua nova sede, classificada pela gestão como um "marco histórico" para a classe. Os vídeos institucionais, embalados por trilhas sonoras motivacionais e imagens cuidadosamente produzidas, prometem entregar uma estrutura moderna, símbolo de valorização profissional e fortalecimento da categoria.

No entanto, por trás desses discursos oficiais, os bastidores da advocacia paraibana fervem com perguntas que continuam sem respostas claras. A principal delas: a quem, de fato, servirá esse novo e suntuoso palácio de concreto?

A primeira contradição apontada por opositores e observadores da política institucional é de ordem cronológica.

Grandes obras institucionais não nascem do dia para a noite, nem são fruto do esforço isolado de um único grupo político. O projeto da nova sede é o resultado de anos de sonhos, planejamento e projetos idealizados pela  administração passada, contando com a obrigatória participação da Caixa de Assistência dos Advogados (CAA-PB) no deferimento do pedido e na disponibilização dos recursos pelo Conselho Federal da OAB.

Apesar disso, a comunicação oficial da Ordem adota uma narrativa exclusivista, autoritária e politiqueira, tentando arbitrariamente, numa atitude pouco ética, apagar o passado e vender a obra como uma conquista única da atual gestão.

Passada a campanha, tentaram ocultar, sob o tapete da propaganda, o rastro de sucessivos adiamentos da obra, além de relatos e imagens de problemas estruturais, reparos e intervenções emergenciais que vieram a público ao longo dos últimos anos, ironicamente, em um prédio que deveria simbolizar a solidez da instituição.

A polêmica mais ruidosa, contudo, envolve o esvaziamento da utilidade prática do complexo. Fontes internas confirmaram que o projeto original previa uma forte integração com o esporte e o lazer, recomendados pela Caixa de Assistência (CAA-PB), incluindo a construção de espaços  destinados ao bem-estar e à convivência dos advogados e de suas famílias.

A tesoura da discórdia:

O atual gestor da OAB-PB, para chamar de seu, modificou drasticamente o projeto à revelia da Caixa de Assistência, e toda a área de esporte e lazer foi sumariamente extirpada do mapa. Nos bastidores, a justificativa real é apontada como um ato de inferior animosidade política e retaliação contra o administrador da CAA-PB, sem considerar que essa despótica e intempestiva investida estava relegando, no mínimo, uma parcela importante da advocacia.

Por conta dessa supremacia de egos, advogados esportistas perderam o que seria o seu principal ponto de descompressão e socialização. A retirada abrupta e injustificável desses espaços levanta um questionamento incômodo sobre as prioridades de quem comanda a instituição, quando guiadas pela política do individualismo e pelo alimento da vaidade.

Diante do corte das áreas de convivência, contribuintes da Ordem fazem as contas: quais serventia concretas restaram na nova sede para o advogado comum?

Em pleno ano de 2026, a advocacia é majoritariamente digital. O profissional do dia a dia peticiona de seu escritório, despacha virtualmente e se reporta à OAB quase que integralmente via canais on-line. O prédio físico, portanto, corre o risco de virar um "elefante branco". Sem a área de lazer, o complexo limitou-se a serviços puramente burocráticos e protocolares que podem ser normalmente resolvidos à distância.

Transformou-se o que deveria ser a "Casa da Advocacia" em um aparato estatal-burocrático, focado na liturgia do cargo e no conforto de poucos dirigentes, enquanto a base da categoria continua distante dos círculos de influência.

Uma sede institucional não deveria ser medida por metros quadrados, mármore ou pelo luxo de seus gabinetes, mas sim pela sua capacidade de acolher, defender e também lutar pela saúde e pelo bem-estar de seus membros.

A inauguração festiva passou a ser apenas um ato simbólico para as redes sociais. O verdadeiro julgamento começará quando as luzes dos holofotes da cerimônia se apagarem. Será a advocacia paraibana, que financia a estrutura com anuidades pesadas, quem dirá se o novo prédio é um patrimônio coletivo ou apenas um cenário de ostentação institucional.

Afinal, concreto ergue edifícios rapidamente. Mas a confiança da categoria continua sendo a obra mais difícil de concluir.

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