
A advocacia paraibana está diante de mais um episódio que vem gerando perplexidade e indignação entre profissionais de todas as gerações, especialmente entre os jovens advogados: a constante mudança na data de vencimento da anuidade da OAB-PB.
Durante anos, a categoria organizou seu planejamento financeiro com uma regra clara e previsível: a anuidade era cobrada no mês de dezembro. Era assim que advogados, escritórios e jovens profissionais estruturavam seus compromissos e suas reservas financeiras.
Então veio a mudança.
Logo no início da atual gestão, sem amplo debate com a categoria e sem uma justificativa que convencesse a advocacia, o vencimento foi antecipado para agosto. Muitos advogados precisaram reorganizar seu orçamento às pressas para absorver uma obrigação que, historicamente, possuía outra previsão.
Agora, mais uma surpresa.
Sem que a categoria sequer tivesse tempo de consolidar o novo planejamento, a anuidade volta a mudar de data. Desta vez, o vencimento passa para abril.
A pergunta é inevitável: afinal, existe algum planejamento por trás dessas mudanças ou a advocacia paraibana está sendo obrigada a adaptar sua vida financeira conforme decisões tomadas dentro dos gabinetes da Ordem?
A situação se torna ainda mais preocupante quando observamos a realidade da profissão. A advocacia não vive um momento de abundância. Jovens advogados enfrentam dificuldades para consolidar a carreira, escritórios lidam diariamente com custos elevados, honorários cada vez mais pressionados e um mercado extremamente competitivo.
Nesse cenário, previsibilidade não é luxo. É necessidade.
Uma instituição que deveria defender e compreender a realidade dos advogados parece ignorar justamente uma das maiores demandas da categoria: segurança para planejar o futuro.
O problema não é apenas mudar uma data. O problema é transformar uma obrigação anual em uma loteria administrativa, onde o advogado nunca sabe qual será a próxima regra.
E a indignação cresce porque a mudança não veio acompanhada de redução da anuidade, ampliação significativa dos serviços ou benefícios concretos que justificassem tamanha instabilidade.
O que se vê é uma sucessão de alterações que afetam diretamente o bolso da categoria, enquanto os canais oficiais concentram esforços em campanhas de marketing e divulgação institucional.
No fim, a dúvida que ecoa nos escritórios, fóruns e salas da advocacia é simples:
Quem está planejando a vida da OAB-PB?
Porque, aparentemente, quem planeja a própria vida profissional é sempre o último a ser consultado.
E talvez seja esse o maior problema: quando a Ordem deixa de ouvir a advocacia, a anuidade deixa de ser apenas uma contribuição. Passa a ser mais um símbolo da distância entre quem representa e quem deveria ser representado.
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