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“A Ordem do Silêncio”: quando até a coragem dos advogados é censurada pela própria OAB

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10/11/2025 às 15h40
Por: Redação Fonte: Advocacia
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“A Ordem do Silêncio”: quando até a coragem dos advogados é censurada pela própria OAB

Em uma entrevista contundente ao programa Arena Oeste, a jurista e ex-ministra do Superior Tribunal de Justiça, Eliana Calmon, acendeu o alerta sobre o cenário de dependência da Entidade  nacional criada para defesa da advocacia. 
Em tom de espanto, a magistrada afirmou nunca ter visto advogados com tanto receio de se manifestar, nem mesmo durante a ditadura militar.“Antes, o medo era do regime. Hoje, o medo é do Supremo”, resumiu, com a serenidade de quem conhece o peso das palavras e a gravidade dos fatos.
Para Calmon, o problema não está apenas no Judiciário, mas também na própria Ordem dos Advogados do Brasil, que, segundo ela, “virou praticamente um partido político, alinhado ao sistema”.
Uma denúncia que ecoa de norte a sul do país,  e que encontra na Paraíba um retrato fiel.
Por aqui, a OAB-PB e sua Caixa de Assistência vivem uma crise de legitimidade que vai muito além de uma gestão aparentemente ineficiente.São sucessivos episódios de censura, assédio moral, perseguição institucional, desobediência judicial e até inércia com violações de prerrogativas, envolvendo nomes de peso do sistema.Enquanto o discurso público é de defesa da advocacia, a prática cotidiana tem sido o silenciamento de vozes críticas e o uso da estrutura da Ordem como trincheira política e plataforma pessoal.
O que Eliana Calmon chama de “transformação da OAB em partido político” ganha contornos visíveis na Paraíba: Gestores que atuam como militantes de sigla e representantes que, em vez de defender os advogados, defendem cargos, famílias e interesses partidários.
A magistrada ressalva que dentro da Ordem cresce um certo movimento de resistência, advogados que se recusam a compactuar com o desvirtuamento institucional e o silêncio da Ordem. 
“É preciso que a advocacia se insurja contra esse estado de coisas”, disse.
Mas como fazê-lo quando o medo e interesses se instalam até entre os que têm na voz sua principal arma?
Na Paraíba, a pergunta é ainda mais urgente:
Como confiar numa Ordem que fala em prerrogativas, mas se cala diante da opressão?
Como acreditar em quem deve defender “direitos humanos”, mas pratica humilhações dentro da própria casa?
A OAB-PB, que deveria ser escudo da classe, parece cada vez mais um palco de discursos vazios e, sobretudo, de conveniências partidárias, onde o brilho das solenidades serve apenas para esconder as rachaduras da coerência e evidenciar preferências políticas. 
Enquanto o Judiciário não se permite à autocrítica, a advocacia foge da coragem de discordar.
Afirmou Eliana Calmon, que “o Judiciário não cumpre mais o seu papel”.  Então, não seria o momento de os órgãos da OAB cumprirem com maior razão o seu? 
A resposta, infelizmente, está nos corredores silenciosos de uma instituição que esqueceu sua missão e se acostumou a servir ao poder, e não à Justiça.

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