
Agosto deveria ser o mês da celebração da advocacia. Um tempo para honrar o papel da classe na defesa da Constituição, das liberdades e da democracia. Mas, na Paraíba, o que temos é um Agosto marcado pelo silêncio institucional, pela maquiagem de gestões e pela exposição de uma realidade que grita por socorro.
Enquanto as redes sociais da OAB-PB e da Caixa de Assistência são inundadas por vídeos produzidos com filtros e frases de efeito, a advocacia de base segue fragilizada, invisibilizada e abandonada. Os representantes da instituição exaltam o “grande primeiro semestre”, como se likes fossem conquistas e reels substituíssem entregas concretas.
A verdade, no entanto, não cabe em legendas editadas. Ela aparece nos vazios das salas da advocacia sem estrutura, nos convênios antigos vendidos como novos, nas campanhas de saúde recicladas, nas promessas requentadas e nos atendimentos que sempre existiram, apenas agora embalados como novidade para gerar engajamento.
Enquanto isso, a Comissão de Prerrogativas silencia. Quando um advogado é impedido de atuar, não há resposta. Quando uma advogada é desrespeitada, não há reação. Quando o interior clama por estrutura, há apenas eco.
A omissão se tornou política. O marketing virou prioridade.
E, nesse cenário, surgem perguntas que não podem mais ser ignoradas:
Como será o futuro da advocacia paraibana, se o presente é construído sobre falácias e vaidades?
Como assegurar direitos, se quem deveria proteger se cala?
Como fortalecer a classe, se a base está exausta e sozinha?
Não é apenas uma crise de gestão. É uma crise de representatividade.
A OAB-PB hoje parece mais preocupada em alimentar redes sociais do que em garantir direitos. Mais dedicada ao brilho do holofote do que à luz da justiça.
Enquanto se comemora o mês da Advocacia, a classe amarga a ausência de voz.
A mulher advogada é silenciada.
O jovem advogado é explorado.
O interior é ignorado.
E as prerrogativas, esquecidas.
Vivemos um tempo em que o desrespeito não chega com truculência, mas com abandono. Não censura com violência, mas com o desprezo estratégico. A nova tirania veste terno, sorri para fotos e ignora quem deveria representar.
A advocacia paraibana não pode mais aceitar o silêncio como resposta.
Porque uma gestão que se cala é cúmplice.
Uma Ordem que se omite, adoece.
E uma classe que não reage, desaparece.
Agosto não pode ser o mês do teatro institucional. Precisa voltar a ser o mês da advocacia viva, combativa e respeitada.
E isso só será possível quando a OAB-PB parar de se promover e começar a servir.
Mín. 22° Máx. 27°