
A cena é chocante: A sede da OAB Paraíba mais uma vez foi palco de um ato político-partidário, com bandeiras, palavras de ordem e discursos alinhados a um único viés ideológico. Ao fundo do auditório da Ordem, um letreiro institucional divide espaço com faixas como “Sem Anistia para Golpistas” e “O Brasil é dos Brasileiros” — slogans claramente associados a movimentos esquerdistas.
O que se viu não foi um debate plural, tampouco um espaço democrático aberto à diversidade de pensamento. Foi um ato de posição política explícita, embalado por um discurso conhecido que tenta se esconder sob o véu da “defesa da democracia”. O problema? A OAB não é um partido. E não pode defender cores político-partidárias.
A Ordem dos Advogados do Brasil, por força de sua própria história e missão constitucional, deve se manter autônoma, independente, plural e representativa de toda a advocacia, e não dá vazão a pensamento ideológico de quem momentaneamente a representa.
O mais grave é que esse não é o primeiro episódio da espécie. Em outra oportunidade, o mesmo presidente da Entidade já deu sinais de que escolheu um lado político (v. Matéria 2). 
Um lado que deveria jamais ter escolhido. Porque quando uma instituição é usada pelo seu primeiro mandatário para se posicionar de forma partidária, ela abandona pelo menos metade da classe que deveria representar.
Não existe “ato em defesa da democracia” que exclua quem pensa diferente. Não há liberdade quando só um lado pode falar. E não há coerência quando uma entidade que deveria ser símbolo de equilíbrio institucional e equidistante de posições políticas vira palco de militância ideológica.
De “Casa da Cidadania”, a OAB corre o risco de virar “sede de campanha política”.
De guardiã da Constituição, passa a atriz de um roteiro onde o contraditório é ignorado e a neutralidade é demonizada para atender a interesses obscuros de alguns indivíduos.
É preciso lembrar: a política da Ordem é a política da advocacia, não de partido.
Quando a OAB se alinha a siglas, ela desalinha sua própria razão de existir.
Se a Ordem continua nesse ritmo, logo deixará de ser “dos Advogados do Brasil” — para ser apenas “de uma ala aliada de Brasília”. A advocacia paraibana quer saber com qual autoridade o presidente da OABPB tenta transformar a Entidade de Classe que representa em facção partidária?
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