
Anunciada com estardalhaço como “a maior campanha de vacinação contra a gripe da história da advocacia paraibana”, a ação promovida pela atual gestão da CAA-PB, presidida por Rodrigo Farias, tem causado mais desconfiança do que prevenção. O que seria um feito histórico alcançou apenas 1.000 advogados em todo o estado e virou alvo de críticas, piadas nos bastidores da advocacia e mais um capítulo da já conhecida pirotecnia com dinheiro da Classe — verdadeira saga de promessas exageradas de quem parece estar mais preocupado com holofotes visando mais o alcance de futuros cargos políticos do que beneficios concretos.
Segundo o enredo divulgado no site da CAA-PB, a campanha cobriria um número recorde de advogados. Mas, nos bastidores, o que se viu foi mais uma jogada de marketing, recheada de palavras de impacto e vazia de compromissos com a advocacia. Em comparação aos anos anteriores, a diferença é gritante — e não foi para melhor.
Nas gestões passadas, os advogados adimplentes e seus familiares recebiam a vacina tetravalente, com ampla proteção e reconhecimento pela qualidade. A logística funcionava de verdade: as vacinas chegavam não só nas subseções mas nas cidades vinculadas a elas, contemplando toda a advocacia, com critério, respeito e responsabilidade.
Na atual gestão? A promessa virou fumaça. A vacina distribuída foi a do Instituto Butantan — de eficácia bem inferio, recebida por doação, e muito aquém daquela que a classe merece. Pior: relatos apontam que até advogados inadimplentes, que segundo o anúncio inicial ficariam de fora da campanha, foram chamados em cada esquina da rua para imunização. A tentativa desesperada de inflar números e não deixar as doses denunciarem o fracasso é tão clara quanto constrangedora. Afinal, nada mais embaraçoso do que alardear “a maior campanha da história” e terminar com caixas de vacina sobrando nos refrigeradores.
E como todo enredo de ficção precisa de uma reviravolta dramática, a “solução mágica” veio em forma de improviso itinerante: já que a adesão dos advogados foi vergonhosamente baixa — talvez pela falta de confiança na vacina do Butantan —, a gestão resolveu levar a vacinação a órgãos públicos diversos e eventos externos, numa espécie de “vacina tour”. Agora, para justificar os números inflados da “maior campanha”, a CAA-PB roda a zona metropolitana com seringas na mão, na esperança de fazer a estatística subir nem que seja na marra. Afinal, se os advogados não vieram, vamos atrás de qualquer braço disponível para salvar a narrativa.
Mas a pergunta que não quer calar ecoa nos corredores da Ordem: desde quando a advocacia paraibana deve se contentar com vacina de segunda linha, atendimento desorganizado e propaganda vazia? Quando foi que o direito à saúde da classe virou peça de campanha institucional e roteiro de ação itinerante?
A resposta está nas entrelinhas — ou melhor, nas manchetes. O discurso de cuidado com os advogados ficou bonito na foto, mas faltou aparecer na prática. Entre seringas, sorrisos forçados, “likes” nas redes sociais, a campanha termina deixando um gosto amargo e uma lição clara: a advocacia não precisa de espetáculo, precisa de seriedade, respeito e benefícios de qualidade.
Afinal, se essa foi mesmo a maior campanha de vacinação da história, a diretoria da CAA está, definitivamente, mal de memória — ou gripada demais para lembrar o que é ter gestão ética e comprometida com a saúde da advocacia.
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